No dia 28 de fevereiro o papa Bento XVI anunciou oficialmente ao mundo sua renuncia ao pontificado. Joseph Ratzinger (Bento XVI) alegou que sua idade, 85 anos, já não lhe permitia mais exercer o cargo confortavelmente. A mais de cinco séculos um papa não renunciava. O último havia sido Gregório XII, em 1415.

Estando a igreja sem seu lider supremo, chega a hora do conclave, cerimônia em clausura onde os cardeais votam para eleger o novo papa. O conclave para eleger o papa número 266 teve início nesta terça-feira, dia, 12. 115 cardeais de 48 países trancaram-se na Capela Sistina em Roma para a votação. O candidato a papa precisa receber ao menos dois terços dos votos para ser eleito. A cada votação sai pela chaminé fumaça. Se a fumaça for preta significa que a votação não atingiu o mínimo de votos necessários para a escolha do pontífice. Se a fumaça for branca, como dizem as famosas palavras “habemus papam” (temos um papa).

A fumaça branca apareceu já no segundo dia de conclave, as 19:06h em Roma (15:06h horário de Brasília). A igreja católica tem um novo pontífice, o argentino Jorge Mario Bergoglio, o primeiro papa latino americano. Borgoglio escolheu como nome papal “Francisco”.

Neste momento você deve estar se perguntando o que um blog voltado ao meio ambiente tem a ver com esse assunto, certo? A resposta é algo que sempre devemos ter em mente: Nada neste mundo está isolado! A igreja foi uma das maiores detentoras do poder político, econômico e social no passado . Hoje, mesmo não possuindo mais todo o poder que detinha, não há como ignorarmos o papel dela na construção e moldagem da história humana.

A religião cristã surgiu durante o Império Romano (27 a.C. – 476 d.C.). No ano de 391 d.c. foi declarada religião oficial do império. Com a adesão dos povos germânicos o cristianismo fortaleceu-se, sobreviveu à desagregação do Império Romano do Ocidente e tornou-se a mais poderosa instituição da época pós Império Romano, a Idade Média (século V ao XV).

A igreja baseia-se em dogmas, ou seja, verdades absolutas, incontestáveis. Essas “verdades” se apoiam apenas na fé, ou seja, não precisam ser provadas. Lembrem que a mentalidade das pessoas na época era bem mais rudimentar, elas simplesmente tomavam as palavras da igreja como verdadeiras, não exigindo qualquer explicação. Falando de modo bem simplificado, “é assim porque Deus disse que é e pronto!”. Caso alguém tivesse posições contrárias aos dogmas da igreja era perseguido e punido pelo Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), criado pela igreja no século XIII para combater os hereges (contrários à religião católica). A Inquisição prendeu, torturou e mandou para a fogueira milhares de pessoas que não seguiam às ordens católicas.

Detentora da fé, a igreja ditava todas as regras, influenciava nas decisões políticas, interferia na elaboração das leis e estabelecia padrões de comportamento moral, coordenando todos os aspectos da vida da sociedade no mundo medieval.

Na Idade Média o modo de produção da sociedade era o feudalismo. Não havia a noção de lucro, eles produziam apenas o que iam consumir ou trocar por outras mercadorias, não havia produção excedente. A única riqueza considerada era a possessão de terras. A igreja aproveitava-se da crença fiel do povo em seus dogmas para adquirir cada vez mais propriedades. Os fieis doavam terras à igreja como forma de penitência, ou ainda, como uma forma de garantir a salvação da alma. Nobres doentes doavam terras para a igreja para garantir lugar no céu, nobres que se curavam doavam terras à igreja para agradecerem a Deus pela cura.

A nobreza tinha suas terras partilhadas entre seus membros através dos casamentos, heranças e disputas. A igreja, para evitar tais partilhas, criou a proibição de casamento aos padres. Com isso os bens não pertenciam aos religiosos, mas a própria instituição, que tornava-se cada vez mais poderosa. Sacaram, né? Deus nunca disse que um padre não poderia se casar. Isso foi uma estratégia da igreja para manter suas propriedades e consequentemente seu poder.

Muitos dos pensamentos incutidos pela igreja na mentalidade do povo feudal tiveram reflexos enormes em nossa história. Um exemplo é a concepção da mulher como sendo inferior ao homem. Para a igreja a mulher fora a culpada pela queda da humanidade em pecado (a maça de Eva) e como castigo sofre as dores do parto e deve obediência ao marido.

Lendo todas estas frases você deve estar com a impressão de que a igreja não fez nenhuma boa contribuição para nossa história, certo? Mas isto não é verdade. Uma imensa parte de nossa cultura foi preservada graças a igreja. Os monges copistas dedicaram suas vidas a copiar e guardar os conhecimentos das civilizações antigas, principalmente dos gregos. Graças aos monges, esta cultura se preservou e pode ser retomada na época do Renascimento Cultural (Iluminismo).

Foi também devido às crenças impostas pela igreja que tivemos as cruzadas, que aconteceram entre os séculos XI e XIII. As cruzadas eram peregrinações feitas rumo a Terra Santa (Jerusalém) com o objetivo de combater os inimigos do cristianismo (hereges e mulçumanos). As cruzadas eram para os homens um instrumento de purificação, através do qual obtinham o perdão de Deus por seus pecados.

Do ponto de vista religioso o movimento cruzadista não obteve muito sucesso, mas no âmbito econômico e social as repercussões foram enormes, dando início a transformações que resultaram na transição do feudalismo ao capitalismo. O que exatamente aconteceu? Por causa das longas viagens dos “soldados de cristo”, como eram chamados os participantes das cruzadas, começaram a surgir estalagens, aumento do comércio nestes locais e assim começaram a se desenvolver cidades. As cidades possibilitaram o acontecimento de feiras e mercados, o que impulsionou o aumento do comércio. Com isso começou a ocorrer miscigenação entre raças e culturas. O aumento do comércio incentivou a circulação monetária, originou a noção de lucro e o racionalismo econômico. A camada privilegiada com estas novas tendências foram os comerciantes, que se tornaram os burgueses. Com o aumento da riqueza da burguesia, o poder da nobreza e do clero começou a ser severamente abalado.

A partir daí uma nova mentalidade começava a surgir, mais voltada para a razão. O Iluminismo, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial favoreceram a produção de conhecimento pela ciência e disseminaram a ideia de que o ser humano é possuidor da razão, logo, pode construir sua história. Diante dessa nova mentalidade a igreja foi progressivamente perdendo seu prestígio e poder.

A igreja de hoje, já sem o enorme poder de outrora, é bastante diferente da do passado. Agora é uma instituição voltada para o bem e a fraternidade e não comete mais atos de violência. Ao menos, assim deveria ser, pois como em toda instituição há aqueles que pregam uma coisa e fazem outra.

Minha opinião sobre a igreja é: São nossas próprias atitudes que vão definir se ela é boa ou ruim. Tudo que é para o bem, para ajudar aos outros, para disseminar bons sentimentos vale a pena. Mas sou contra o fanatismo e contra os preceitos demasiadamente conservacionistas da igreja, como por exemplo, ser contra o casamento homossexual e contra anticoncepcionais. Por favor né, um absurdo! Em ambos os casos ninguém está fazendo mal a ninguém, sendo assim, cada um tem direito a felicidade da forma que lhe convir melhor. Proibições desse tipo, feitas apenas em favor de um “idealismo mais bonito” só afastam as pessoas da igreja.

Quanto a fé, sou extremamente a favor dela, desde que não seja exagerada. Como diz a célebre frase “Se Deus não existisse, teria que ser inventado”. As pessoas precisam de algo em que se apoiar. A vida é complexa demais, é mais fácil aceitar as coisas do jeito que são do que ficar buscando uma explicação racional para tudo. Todos nós precisamos de algo que nos de forças. Algumas pessoas encontram esse incentivo em suas famílias, algumas em suas rotinas e trabalhos e outras em Deus. O que não tem, a meu ver, problema algum desde que a pessoa não faça como esses “coitados ignorantes” (desculpem a expressão) que mal tem dinheiro para suas necessidades básicas e dão todo seu salário para a igreja em troca de uma vaga no céu. Mas na medida certa a fé só traz bons resultados. Acredito que os pensamentos positivos são realmente poderosos.

Então é isso aí. Acho interessantíssimo estudar a história e descobrir que tudo é como é por causa de algo que aconteceu no passado. E, consequentemente, percebemos que tudo que fizermos agora interferirá no futuro. Esperamos que o papa Francisco, que parece ser bastante simpático e humilde, consiga realmente engrandecer e fortalecer o lado humanitário e de compaixão da igreja católica, para que ela sobressaia-se como uma instituição de união e amor que incentiva o bem e não de tantas regras e proibições.

Para terminar o post, uma diferenciação interessante para sabermos, extraida de www.vejaonline.com.

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